O que temos feito pelos nossos recém-nascidos?

“Compreender as necessidades do ser imaturo, adaptando-se a elas e renunciando as próprias necessidades — eis o que o adulto deve fazer.”  Maria Montessori


Estamos rodeados de alternativas para facilitar as nossas vidas. Os carros nos levam mais rápido, os tênis são cada vez mais confortáveis, o celular tem informação demais e todo o tempo, algumas filas já contém cadeiras. O tempo todo pensamos em como otimizar nossas vidas, hora dominando o tempo, hora aumentando o conforto.

E às nossas crianças? Que temos feito para otimizar suas vidas? No nascer de uma criança, o que fazemos por ela?

Se nos colocássemos em seu lugar, talvez alteraríamos muitas coisas em sua chegada.

Vou citar algumas breves e simplórias considerações que fiz ao tentar me colocar no lugar de um bebezinho que acabara de chegar ao mundo. Você pode fazer este exercício também e verificar onde pode fazer diferente quando tiver oportunidade.

Para mim: uma criança que acaba de sair do ventre precisa de vestimentas confortáveis, de temperatura ideal, de pouca exposição à luz. Precisa também de silêncio e acolhimento. 

O que nossa cultura nos leva a fazer?

Coloca-la uma roupa bem linda, engomada, com rendas e apetrechos, mesmo que nada confortável. Faixa na cabeça, luvas que não permitem sensações nas mãos. Festa ainda na maternidade, muitas pessoas falando, entrando e saindo, comemorando. Para completar: pouco (senão nenhum) colo da mãe.

Uma criança que acaba de sair do ventre precisa sentir 0 seio materno, conhecer o sabor do leite, se adaptar ao mamar.

Mas oferecem complemento antes mesmo dela entender onde está seu alimento natural. A presenteiam com chupetas e mamadeiras antes mesmo de saberem se ela preferirá seguir a sua natureza não precisando destes artifícios para se alimentar e/ou descansar.

Uma criança que acaba de sair do ventre precisa de colo e da voz da mãe.

Mas as indústrias estão criando cada vez mais objetos que balançam sozinhos pra que as crianças fiquem lá, sozinhas, até pegarem no sono mais uma vez. Também criaram a babá eletrônica, que substitui a babá humana, já que a mãe muitas vezes é aconselhada a “ensinar” a criança a não depender tanto dela, mesmo que isso seja ideal para o seu desenvolvimento inicial.


O que temos feito pelos nossos recém-nascidos? Estamos pensando mesmo neles?

Talvez precisemos mesmo compreender as necessidades do ser imaturo e renunciar as nossas próprias necessidades para que eles sejam recebidos como merecem.


 

Lara Morais Nogueira